Presidente Assimi Goita assume Ministério da Defesa após assassinato de Sadio Camara – Times de Todos

BAMAKO – O líder do governo militar do Mali, o Coronel Assimi Goita, anunciou que passará a acumular o cargo de Ministro da Defesa. A decisão, oficializada através de um decreto presidencial divulgado pela televisão estatal ORTM nesta segunda-feira (04 de Maio), surge na sequência da morte do anterior titular da pasta, Sadio Camara, vítima de um ataque rebelde de grande escala na semana passada.

​De acordo com as autoridades, Sadio Camara perdeu a vida após a explosão de um carro-bomba na sua residência oficial. O atentado ocorreu durante uma ofensiva coordenada entre o grupo JNIM (vinculado à al-Qaeda) e separatistas tuaregues da Frente de Libertação de Azawad (FLA).

Mudanças na Estrutura Militar

​Para apoiar a nova gestão da pasta, o General Oumar Diarra, que até então servia como Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, foi nomeado Ministro Delegado junto ao Ministério da Defesa. Goita mantém-se como Presidente da República, consolidando agora o controlo total sobre as operações militares do país.

A Maior Ofensiva em 15 Anos

​A investida rebelde que vitimou o ministro Camara é considerada a mais grave no Mali em quase 15 anos. Os grupos armados conseguiram capturar a cidade estratégica de Kidal, no norte do país, num confronto que resultou em pelo menos 23 mortos. A UNICEF alertou que, entre as vítimas mortais e os feridos, encontram-se civis e crianças.

​O cenário de insegurança no Mali é complexo:

  • JNIM (Al-Qaeda): Controla vastas áreas rurais no norte e centro, com células activas perto da capital, Bamako.
  • ISSP (Afiliado ao Estado Islâmico): Domina regiões na cidade de Menaka, no nordeste.
  • FLA (Separatistas Tuaregues): Lutam pela independência de um Estado chamado Azawad. O grupo pretende agora tomar o controlo de Gao, Timbuktu e Menaka para completar o seu território autodeclarado.

Geopolítica e Presença Russa

​O governo de Assimi Goita, que tomou o poder através de golpes em 2020 e 2021, cortou laços com a França e expulsou as forças de manutenção de paz das Nações Unidas. Em substituição, o Mali recorreu ao apoio russo.

​O antigo grupo Wagner, que operava no país desde 2021, concluiu a sua transição para o Africa Corps, uma organização agora sob controlo directo do Ministério da Defesa da Rússia.

Bloqueio a Bamako

​Como retaliação pelo apoio da população ao exército maliano, os grupos rebeldes anunciaram um bloqueio total à capital, Bamako. Relatos locais indicam que a medida tem sido parcialmente eficaz, afectando o fluxo de bens e a circulação na periferia da cidade.

​Em Julho passado, as autoridades militares garantiram a Goita um mandato presidencial de cinco anos, com a possibilidade de renovação indefinida, sem a necessidade de eleições.

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