O ministro das Finanças do Benim, Romuald Wadagni, foi declarado vencedor das eleições presidenciais realizadas no domingo, alcançando uma vitória expressiva com cerca de 94% dos votos, segundo resultados provisórios divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional Autónoma (CENA), com base na contagem de mais de 90% das urnas.
Wadagni, de 49 anos, concorreu pela aliança entre a União Progressista para a Renovação (UPR) e o Bloco Republicano (BR), e já era apontado como favorito, tendo recebido o apoio do presidente cessante, Patrice Talon.
Talon, considerado o homem mais rico do país, não pôde recandidatar-se por já ter cumprido dois mandatos de cinco anos à frente da presidência.
Adversário reconhece derrota
Enquanto ainda decorria a contagem dos votos, o principal adversário de Wadagni reconheceu a derrota e felicitou o vencedor, apelando ao respeito democrático.
“A Romuald Wadagni, apresento as minhas felicitações republicanas. A democracia exige respeito mútuo e a capacidade de superar as divisões partidárias”, declarou Hounkpe.
Durante a sua gestão como ministro das Finanças, Wadagni foi responsável por acompanhar um período de crescimento económico contínuo superior a 6% ao ano. Na campanha, prometeu dar continuidade a essa trajetória, num país considerado uma das democracias mais estáveis da África Ocidental, apesar de uma tentativa falhada de golpe de Estado em dezembro de 2025.
Processo eleitoral considerado pacífico
O presidente da CENA, Sacca Lafia, afirmou que o processo eleitoral decorreu de forma “pacífica”. No entanto, uma plataforma de monitorização de organizações da sociedade civil registou cerca de cem alertas de incidentes, segundo a agência AFP. Entre os casos relatados estiveram mesas de voto que abriram antes do horário previsto e situações em que urnas aparentavam já estar cheias no início da votação.
A missão de observação eleitoral da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) destacou, por outro lado, “a atmosfera pacífica” e o “bom desenrolar das eleições”.
Participação eleitoral
Cerca de 7,9 milhões de eleitores estavam registados para votar, com uma participação nacional de 58,75%, segundo dados da comissão eleitoral. Na capital, Porto-Novo, a afluência foi significativamente menor, variando entre 20% e 40% em algumas mesas de voto.
Restrições à oposição
Antes das eleições, analistas já alertavam para limitações impostas à oposição durante o mandato de Patrice Talon, através de alterações políticas e legais.
O maior partido da oposição, Les Démocrates, não participou no pleito. As mudanças constitucionais aprovadas no ano anterior impediram o partido de conquistar assentos nas eleições legislativas de janeiro, o que dificultou também a sua capacidade de apoiar um candidato presidencial, já que os concorrentes passaram a necessitar de apoio de deputados para se candidatar.
Sem representação no parlamento, o líder do partido, Renaud Agbodjo, não conseguiu reunir as assinaturas necessárias para entrar na corrida presidencial.
Uma análise do Centro Africano de Estudos Estratégicos, ligado ao Departamento de Defesa dos EUA, já havia alertado que, devido a essas restrições, a disputa eleitoral de 2026 começava com condições desiguais para a oposição.