O Departamento de Defesa dos Estados Unidos — que sob a administração Trump passou a ser designado como Departamento de Guerra — publicou hoje o seu primeiro lote de documentos confidenciais sobre Fenómenos Anómalos Não Identificados (UAP, a sigla moderna para OVNIs). Esta ação expõe ao escrutínio público registos que estiveram ocultos durante décadas.
A Iniciativa PURSUE e o Conteúdo Revelado
A desclassificação abrange 161 ficheiros e integra um esforço interinstitucional chamado PURSUE (Sistema Presidencial de Deslacração e Relato de Encontros com UAPs). O projeto é encabeçado pelo Departamento de Guerra em colaboração com várias agências de peso, incluindo a Casa Branca, a NASA, o FBI, o Departamento de Energia, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) e o AARO (Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios).
O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, justificou a medida afirmando: “Esses arquivos, ocultos por trás de classificações, há muito alimentam especulações justificadas – e é hora de o povo americano vê-los por si mesmo”.
Os documentos foram disponibilizados num novo portal dedicado ao tema e incluem:
- Relatórios de missões, fotografias e vídeos.
- Registos que datam desde a década de 1950 até ao ano de 2026.
- Incidentes reportados no espaço aéreo dos EUA e internacionalmente, com destaque para a Europa e o Médio Oriente.
Casos Não Resolvidos e Censura por Segurança
As autoridades clarificaram que o material agora divulgado refere-se a casos sem resolução, onde o governo não conseguiu determinar a natureza exata dos fenómenos observados, frequentemente devido à falta de dados. O Pentágono manifestou abertura para que o setor privado e a comunidade científica analisem estes dados. Documentos referentes a casos já resolvidos serão publicados noutros relatórios futuros, conforme dita a lei.
Foi também explicado que os ficheiros contêm partes rasuradas (omitidas). O objetivo destas restrições é proteger a identidade de testemunhas oculares, a localização de infraestruturas governamentais e dados sensíveis sobre bases militares que não têm relação direta com as investigações aos UAPs.
A Diretiva de Trump e a Segurança Nacional
Esta abertura de dados responde a uma diretiva emitida em fevereiro pelo Presidente Donald Trump. Através da sua rede social, Truth Social, o presidente celebrou o momento:
“Quanto à minha promessa, o Departamento de Guerra liberou o primeiro lote de arquivos sobre OVNIs/UAPs para que o público os revise e estude. Em um esforço por total e máxima transparência, tive a honra de orientar minha administração a identificar e fornecer arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre…”
Historicamente remetido para a especulação, o tema dos OVNIs é agora tratado com enorme seriedade pelo Congresso e pelas autoridades de defesa, sendo classificado como uma questão de segurança nacional. Foi esta pressão pública e política que levou à criação do AARO, que até 1 de junho de 2024 já analisava mais de 1.600 casos. Não ficou claro, no entanto, se os 161 ficheiros agora lançados faziam parte dessa contagem específica.
Apoio Bipartidário e Próximos Passos
A iniciativa foi amplamente aplaudida por ambos os lados do espetro político norte-americano:
- Senadora Kirsten Gillibrand (Democrata – Nova Iorque): Defensora de longa data da transparência, celebrou no X (antigo Twitter) o facto de o governo finalmente ter ouvido o apelo de milhões de americanos, considerando este um passo importante e prometendo continuar a lutar pelo cumprimento das obrigações legais de transparência.
- Deputada Anna Paulina Luna (Republicana – Flórida): Presidente da força-tarefa do Congresso que investiga o tema, classificou a medida como um “ótimo primeiro passo”.
A deputada Luna adiantou ainda que um segundo lote de documentos, que incluirá mais vídeos solicitados, está previsto para ser lançado em cerca de 30 dias. Devido à enorme escala da tarefa de revisão e desclassificação, o Departamento de Guerra continuará a libertar novos materiais de forma gradual a cada poucas semanas.