Assembleias Cidadãs denunciam ausência de benefícios nas zonas de exploração de recursos naturais – Times de Todos

Membros das Assembleias Cidadãs denunciaram a falta de benefícios para as comunidades que vivem nas áreas onde ocorre a exploração de recursos naturais na província de Cabo Delgado, questionando também o destino das receitas geradas pela atividade mineira.

As declarações foram feitas na quinta-feira, 19 de março, durante uma entrevista concedida a jornalistas à margem de uma sessão de debate sobre os benefícios da exploração de recursos naturais e as mudanças climáticas, realizada na cidade de Pemba.

Na ocasião, David Mofome considerou injusta a realidade vivida numa província rica em recursos como gás natural, grafite e rubis, mas que continua a enfrentar graves problemas de infraestruturas básicas, como estradas e serviços essenciais.

Segundo ele, a exploração de recursos naturais também tem causado impactos negativos nas comunidades, incluindo efeitos relacionados às mudanças climáticas, sem que a população local beneficie da riqueza produzida nessas regiões.

Mofome afirmou ainda que a falta de benefícios concretos para as comunidades tem gerado descontentamento entre as populações que vivem nas zonas de exploração, muitas das quais não receberam compensações justas nem melhorias significativas nas suas condições de vida.

Outro ponto levantado foi a falta de infraestruturas, sobretudo estradas para o escoamento de produtos, situação que, segundo os participantes, não se justifica numa região com tanta riqueza mineral.

O representante defendeu ainda a criação de linhas orientadoras que possam servir de base nas negociações entre o Governo e as empresas de exploração, de modo que as necessidades das comunidades sejam consideradas prioritárias.

Por sua vez, Francisca Julião afirmou que o desenvolvimento nas áreas de exploração de rubis, como Namanhumbir, é praticamente inexistente, apesar da riqueza mineral existente naquela região. A interveniente questionou o destino das receitas provenientes da exploração dos recursos naturais, uma vez que não se observam investimentos visíveis no desenvolvimento local.

Francisca também alertou para o agravamento dos efeitos das mudanças climáticas, como ciclones e cheias, apelando ao Governo para tomar medidas que ajudem a reduzir os impactos nas comunidades.

Já Armindo dos Santos Celestino afirmou que não existem benefícios visíveis para as comunidades que vivem nas zonas de exploração, destacando a falta de infraestruturas que demonstrem a presença das empresas mineiras e o impacto positivo das suas atividades.

Virgínia Justina Bila também criticou a ausência de ações sociais por parte de empresas exploradoras, defendendo que o Governo deve investir mais em áreas como agricultura, saúde e educação, incluindo o fornecimento de insumos agrícolas, ambulâncias e melhores condições nas escolas.

De forma geral, os membros das Assembleias Cidadãs afirmam que, apesar da riqueza em recursos naturais em Cabo Delgado, as comunidades locais continuam a viver em condições precárias, sem benefícios proporcionais à exploração desses recursos. Os participantes defendem maior transparência na gestão das receitas, investimentos em infraestruturas e negociações mais inclusivas entre o Governo e as empresas exploradoras.

As Assembleias Cidadãs são formadas por organizações da sociedade civil e cidadãos que se reúnem para discutir problemas das comunidades e apresentar propostas de solução, promovendo a participação pública nas decisões locais.

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