O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que existe a possibilidade de iniciar negociações com o Irão, embora qualquer diálogo dependa das condições apresentadas por Teerão. A declaração surge num momento em que o conflito no Médio Oriente continua a intensificar-se.
Durante uma entrevista à Fox News, Trump disse ter recebido indicações de que o governo iraniano estaria interessado em conversar. No entanto, ressaltou que qualquer avanço diplomático dependerá das propostas que forem apresentadas pela liderança iraniana.
Apesar de admitir a possibilidade de diálogo, o líder norte-americano afirmou que os Estados Unidos não dependem necessariamente dessas conversações neste momento, destacando que a ofensiva militar conduzida em conjunto com Israel teria alcançado resultados superiores ao esperado. Segundo ele, cerca de metade do arsenal de mísseis iranianos teria sido destruído durante as operações.
Trump justificou a ação militar afirmando que, caso Washington tivesse aguardado mais tempo, poderia ter sido alvo de um ataque por parte do Irão. O presidente também reiterou a convicção de que Teerão estaria próximo de desenvolver capacidade nuclear, com base em informações transmitidas por assessores próximos. As autoridades iranianas rejeitam essas acusações, e a Agência Internacional de Energia Atómica também não confirmou a existência de provas nesse sentido.
Conflito amplia-se na região
Após os ataques conduzidos por forças norte-americanas e israelitas, o Irão respondeu com ofensivas contra diversos alvos na região. Entre os locais atingidos estariam bases militares e infraestruturas em países como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Também foram registados impactos de projéteis em Chipre e na Turquia, evidenciando o risco de expansão do conflito.
Trump também criticou a ascensão de Mujtaba Khamenei como novo líder supremo do Irão, cargo assumido após a morte de Ali Khamenei durante bombardeamentos realizados por forças dos EUA e de Israel.
Alemanha demonstra preocupação
Em Berlim, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou não ver um plano claro entre Washington e Israel para encerrar rapidamente o conflito. Segundo ele, cada novo dia de guerra levanta mais incertezas sobre o futuro da região.
Merz alertou ainda para o risco de o Irão enfrentar um cenário semelhante ao de outros países do Médio Oriente que passaram por longos períodos de instabilidade, como Líbia e Iraque. O chanceler destacou também a importância de restaurar rapidamente a estabilidade nos mercados energéticos e petrolíferos.
Impacto na economia global
As recentes declarações de Trump geraram reações nos mercados internacionais. Comentários contraditórios sobre a possível duração da guerra contribuíram para oscilações no preço do petróleo, aumentando a incerteza económica.
Ao mesmo tempo, Merz voltou a pedir a Israel que abandone planos de anexação na Cisjordânia, incluindo a expansão de colonatos em territórios palestinianos. Segundo o chanceler, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão deverá visitar Israel em breve para discutir o tema e reforçar a posição alemã sobre a questão.