Manifestantes incendeiam Parlamento do Nepal após bloqueio das redes sociais

O Nepal vive uma das maiores crises políticas de sua história recente. Nesta terça-feira (9), o primeiro-ministro KP Sharma Oli renunciou ao cargo após uma onda de protestos massivos contra a corrupção no setor público e contra o bloqueio de 26 redes sociais decretado pelo governo.

A crise explodiu após a decisão de restringir plataformas como Facebook, X, YouTube e LinkedIn por não estarem registradas junto à administração federal, apesar de uma determinação da Suprema Corte em 2023. Apenas o TikTok permaneceu acessível, e foi justamente nele que jovens nepaleses viralizaram vídeos denunciando a disparidade entre as dificuldades da população e o estilo de vida luxuoso dos filhos de políticos.

O movimento rapidamente ganhou força, principalmente entre a Geração Z, que representa 43% da população do país. No fim de semana, milhares foram às ruas de Katmandu e outras cidades. As manifestações de segunda-feira terminaram em violência após a polícia usar gás lacrimogêneo, balas de borracha, canhões de água e cassetetes para conter os manifestantes que tentavam se aproximar do Parlamento.

A Anistia Internacional denunciou o uso de munição real. O governo confirmou 19 mortos e mais de 400 feridos nos confrontos. Ainda na terça, a situação escalou quando o Parlamento foi incendiado por manifestantes. Em outro episódio, a residência da esposa de um ex-primeiro-ministro também foi atacada, resultando em sua morte.

KP Sharma Oli, que estava em seu quarto mandato, enfrentava críticas pelo aumento do desemprego, baixo crescimento econômico e denúncias de corrupção. Segundo o Banco Mundial, o PIB per capita do Nepal é de apenas 1.447 dólares, enquanto a taxa de desemprego se aproxima de 10%.

Diante da pressão, três ministros já haviam entregue seus cargos antes da saída de Oli. O ministro da Comunicação, Prithvi Subba Gurung, anunciou a suspensão imediata do bloqueio das redes sociais, reconhecendo que atender à reivindicação da juventude era inevitável.

O jornal Kathmandu Post resumiu a situação:

“Não se trata apenas de redes sociais, mas de confiança, corrupção e de uma geração que se recusa a ficar em silêncio. Para a juventude, liberdade digital é sinônimo de liberdade pessoal”.

O futuro político do Nepal agora é incerto, mas a crise deixou claro o peso das novas gerações e da luta pela liberdade digital no país.

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