O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, já não se encontra sob custódia do sistema prisional norte-americano, mas continua detido nos Estados Unidos, agora sob responsabilidade dos serviços de imigração, conhecidos como Immigration and Customs Enforcement (ICE).
Segundo informações oficiais, o antigo governante moçambicano encontra-se detido no estabelecimento prisional de Plymouth County, no estado de Massachusetts, não tendo sido divulgados mais detalhes sobre os procedimentos em curso relacionados com a sua situação migratória ou eventual extradição.
Manuel Chang foi detido e posteriormente condenado no âmbito do caso das chamadas dívidas ocultas de Moçambique, um escândalo financeiro revelado em 2016 e avaliado em cerca de 2,7 mil milhões de dólares. O processo envolve empréstimos contraídos por empresas públicas moçambicanas junto de bancos internacionais, sem o conhecimento do parlamento e dos parceiros internacionais.
O antigo ministro, que liderou a pasta das Finanças entre 2005 e 2015, foi condenado por um tribunal federal de Nova Iorque a uma pena de prisão por conspiração para fraude electrónica e branqueamento de capitais relacionados com o mesmo caso.
Apesar da sentença inicial ter sido de vários anos de prisão, o tempo já cumprido em prisão preventiva, desde a sua detenção na África do Sul em 2018, bem como créditos por bom comportamento, contribuíram para a redução da pena, levando à sua libertação do sistema prisional norte-americano no dia 26 de março de 2026.
Contudo, após sair da custódia prisional, Manuel Chang passou imediatamente para a custódia dos serviços de imigração dos Estados Unidos, situação que normalmente ocorre quando há processos de extradição, deportação ou regularização migratória pendentes.
O caso das dívidas ocultas continua a ser um dos maiores escândalos financeiros da história de Moçambique, envolvendo empréstimos milionários destinados a projectos ligados à pesca, segurança marítima e protecção de infra-estruturas de gás natural, mas que acabaram por provocar graves prejuízos ao Estado e aos investidores internacionais.