Malawi perde cerca de 250 mil hectares de floresta por ano

O Malawi está a perder cerca de 250 mil hectares de floresta anualmente, uma tendência que está a acelerar a degradação ambiental e a expor as comunidades a desastres climáticos cada vez mais severos.

Um relatório nacional sobre o estado do ambiente e perspectivas, lançado esta quinta-feira, descreve a desflorestação como um dos desafios ambientais mais urgentes do país. O relatório, a primeira avaliação abrangente da saúde ambiental do Malawi em 15 anos, apresenta uma análise actualizada do estado das terras, florestas, recursos hídricos, qualidade do ar e biodiversidade do país.

A ministra dos Recursos Naturais, Patricia Wiskies, afirmou que a rápida perda de cobertura florestal está a contribuir para o aumento da frequência e intensidade das inundações, secas, ciclones, deslizamentos de terra e ondas de calor que afectam as comunidades de todo o país.

O relatório destaca ainda uma crise crescente no sector agrícola, revelando que quase 8 milhões de hectares de terra estão afectados pela erosão do solo e pelo esgotamento de nutrientes. Segundo Patricia Wiskies, a situação é crítica pelo facto de 98% dos lares malauianos ainda utilizarem o carvão vegetal para cozinhar.

Face a isso, o Governo tem executado um projecto chamado Mecanismo de Transição Verde, financiado pela Irlanda através do PNUD, que visa capacitar os malauianos para começarem a utilizar soluções de cozedura mais limpas, económicas e sustentáveis com a introdução de fogões a etanol.

A ministra dos Recursos Naturais do Malawi, Patricia Wiskies, reconheceu ainda que a situação da desflorestação representa uma grande ameaça à segurança alimentar e aos meios de subsistência num país onde mais de 85% da população depende da agricultura.

Wiskies alertou que os ecossistemas críticos, incluindo florestas, zonas húmidas, de pesca e habitats da vida selvagem, continuam a enfrentar uma pressão crescente devido à destruição de habitats, à poluição, à sobrepesca e às alterações climáticas. (RM)

REPORTAGEM POR: SÉRGIO SIXPENCE-CORRESPONDENTE DA RM NO MALAWI

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