O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) apresentou uma postura crítica em relação à actuação do Executivo perante as calamidades naturais que fustigaram o país no início do ano, durante o discurso de abertura da III Sessão Ordinária da Assembleia da República.
A terceira força política afirmou que os danos causados pelas inundações são fruto de falta de planeamento e organização, acusando o Governo de agir com base no improviso. O partido sublinhou que os prejuízos registados este ano superam largamente o custo de construção da Barragem de Mapai, infra-estrutura que consideram vital para a gestão hídrica e protecção da bacia do Rio Limpopo.
Para além das críticas à prevenção, o MDM denunciou o que classifica como uma tentativa de partidarização da assistência humanitária. Segundo a bancada parlamentar, as vítimas nos centros de acomodação foram transformadas em instrumentos de propaganda, tendo chegado a ocorrer a interdição de deputados do partido de entregarem mantimentos a famílias necessitadas no distrito de Búzi.
O partido instou o Governo a adoptar acções concretas, como a dragagem de rios e a definição de políticas de gestão hídrica, em vez de depender de respostas reactivas.
No plano económico e social, o discurso da oposição estendeu-se a outros sectores sensíveis, manifestando oposição à centralização da compra de cereais e denunciando a degradação dos serviços de saúde e educação.
O MDM defendeu que o país necessita de um diálogo nacional sério que resulte em reformas profundas, alertando para o risco de o actual processo de auscultação se tornar apenas um exercício de diversão política. O partido concluiu reiterando a disponibilidade para trabalhar em consensos que gerem uma agenda transformadora para Moçambique.