O assassinato de Anselmo Vicente, coordenador político da organização ANAMOLA na província de Manica, reverberou com intensidade nas bancadas da Assembleia da República (AR). O crime, perpetrado na cidade de Chimoio, provocou uma condenação unânime por parte dos parlamentares, embora tenha aberto uma profunda fenda nas interpretações sobre o atual clima político e as motivações por trás do atentado.
A Posição da Bancada da FRELIMO
O partido no poder, através da sua bancada parlamentar, foi perentório ao distanciar-se de qualquer ligação ao trágico evento. Em comunicado oficial:
- Condenação Veemente: A FRELIMO classificou o assassinato como um “ato macabro e hediondo”.
- Estado de Direito: Sublinhou que, em Moçambique, a vida humana deve ser o valor supremo e inalienável.
- Diálogo vs. Violência: O porta-voz da bancada reiterou que divergências políticas ou ideológicas jamais justificam o recurso à força bruta.
- Apelo às Autoridades: Exigiu uma investigação célere e rigorosa por parte das instituições competentes para o esclarecimento total dos factos.
Indignação nas Bancadas do PODEMOS e MDM
Para a oposição, a morte de Vicente não é um incidente isolado, mas sim o reflexo de um cenário preocupante de intolerância política.
- PODEMOS: Lamentou profundamente a perda de um dos seus quadros mais ativos na região centro. A bancada exigiu que os órgãos de justiça atuem com firmeza, apelando para que este crime não seja relegado ao esquecimento ou à impunidade.
- MDM: Caracterizou o crime como um “atentado direto à jovem democracia moçambicana”. O partido defendeu que o silenciamento de vozes críticas através da violência fere a liberdade de expressão e reforçou o pedido de proteção urgente para os atores políticos no terreno.
Consternação em Chimoio e Ponto de Situação da Investigação
Enquanto o debate político se inflama na capital, Maputo, a cidade de Chimoio vive dias de luto e consternação. Anselmo Vicente era reconhecido localmente como uma figura promissora e com grande capacidade de mobilização através da ANAMOLA.
Relativamente à investigação:
Até ao momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ainda não efetuou qualquer detenção relacionada com o caso.
A pressão pública sobre as autoridades de investigação é crescente, com a sociedade civil a exigir que tanto os autores materiais como os mandantes do crime sejam identificados e levados à justiça com a brevidade que a gravidade do caso requer.