MAPUTO — Declarações feitas por um quadro da FRELIMO durante a XI Conferência do partido chamaram a atenção dos participantes e foram recebidas com fortes aplausos na sala.
Durante a sua intervenção, o membro defendeu que, antes de serem discutidos outros assuntos, era necessário abordar a realidade interna da própria formação política. Segundo afirmou, caso não existisse “muita curva” e corrupção dentro do partido, a reunião provavelmente já teria terminado.
O quadro também contestou a versão segundo a qual a governadora Mapanzene teria simplesmente renunciado ao cargo. Na sua intervenção, afirmou que, na realidade, ela teria sido removida das suas funções.
Ao sustentar a sua posição, recordou práticas que, segundo ele, existiam nos primeiros tempos da FRELIMO, quando dirigentes que falhavam podiam ser denunciados publicamente e posteriormente afastados dos cargos que ocupavam.
Defende espaço para os jovens
Outro momento que mereceu destaque ocorreu quando o interveniente defendeu que o Presidente Daniel Chapo deve ter espaço para governar, sem interferências constantes dos antigos dirigentes do partido.
Na sua perspetiva, os chamados “velhos do partido” deveriam descansar e permitir que as novas gerações assumam maior protagonismo na condução da organização.
O membro questionou igualmente a atual composição da Comissão Executiva da FRELIMO, afirmando que o órgão está “cheio de velhos” e defendendo uma maior presença da juventude nas estruturas de liderança do partido.
“Ainda tenho muito mais a dizer”
Num momento considerado igualmente curioso, o quadro afirmou que o seu bilhete de regresso a Maputo estava marcado para segunda-feira e deixou entender que não pretendia regressar antes dessa data.
A declaração foi interpretada como uma indicação de que ainda teria outros assuntos a abordar sobre a realidade interna da FRELIMO.
As intervenções foram acompanhadas por fortes aplausos dos presentes. Para alguns observadores, a reação da sala poderá indicar que existem outros membros dentro do partido que partilham preocupações semelhantes, embora nem todos estejam dispostos a expressá-las publicamente.
As declarações acabam por levantar questões sobre a abertura da FRELIMO para críticas internas e sobre a possibilidade de uma maior renovação geracional dentro das estruturas do partido.
Entre as questões colocadas está a de saber se a formação política está preparada para ouvir críticas vindas dos seus próprios quadros e, ao mesmo tempo, abrir maior espaço para uma nova geração de dirigentes.
Nota: As afirmações sobre a alegada remoção da governadora Mapanzene, bem como as referências à corrupção e às restantes questões levantadas durante a intervenção, são apresentadas como declarações atribuídas ao interveniente. Não constituem, por si só, confirmação dos factos e devem ser consideradas à luz de eventuais esclarecimentos ou confirmações oficiais.
Fonte: Chimbunila TV