O Conselho de Ministros elegeu o sociólogo e analista político Hélder Jauana para assumir a presidência do Conselho de Administração (PCA) da Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR).
A escolha do académico para liderar os destinos do turismo a nível nacional acontece num momento em que a sua figura tem ganhado forte projecção mediática, sobretudo pelas suas posições firmes sobre a política moçambicana.
Uma Voz Crítica no Seio do Partido
De acordo com a retrospectiva feita pelo jornalista Socorro Matavel, Jauana destacou-se recentemente pelas suas intervenções incisivas e reflexões profundas sobre os caminhos do país e da FRELIMO.
Durante o simpósio que assinalou os 50 anos da Independência de Moçambique e os 63 anos da fundação da FRELIMO, o sociólogo chamou a atenção para a urgência de o partido se “abrir às vozes críticas”. Na mesma ocasião, repudiou o “assassinato de carácter entre membros”, um fenómeno que apontou como sendo particularmente frequente nas épocas de campanha eleitoral.
As suas intervenções foram marcadas por declarações fortes e aplaudidas pelos presentes, destacando-se os seguintes pontos:
- Falta de Liberdade de Expressão: “Vivemos com muito medo do pensamento crítico”, lamentou.
- Influência do Capital na Política: Afirmou, sob fortes aplausos, que os órgãos do partido “são controlados por quem tem dinheiro”.
- Inclusão e Poder Popular: Apelou a uma participação mais activa e directa das massas populares nas esferas de decisão política.
- Gestão de Recursos: Defendeu a nacionalização estratégica dos recursos minerais de Moçambique.
- Combate às Desigualdades: Exigiu um redireccionamento dos investimentos para os distritos que são ricos em recursos naturais, com o objectivo primordial de combater as assimetrias e desigualdades sociais.
Os Desafios na Liderança da ANDITUR
Com esta nova nomeação, o sociólogo transita do comentário político e académico para a gestão directa de uma área crucial para a economia do país. No cargo de PCA da ANDITUR, Hélder Jauana terá de enfrentar vários desafios estruturais, nomeadamente:
- Atrair Capital: Captar investimento privado que seja estruturante e sustentável;
- Marketing Internacional: Melhorar e promover a imagem turística de Moçambique no exterior;
- Inclusão Comunitária: Garantir a valorização e integração das comunidades locais que habitam nas zonas de exploração turística;
- Crescimento Económico: Transformar definitivamente o sector do turismo numa máquina geradora de emprego e de receitas para o Estado.
Fonte: Miramar