O Governo da Província de Manica, através dos Serviços Provinciais de Representação do Estado — sob a liderança do Secretário de Estado, Lourenço Lindonde —, ordenou a suspensão preventiva do director provincial de Infra-estruturas, António Machivique. O dirigente, que havia tomado posse em meados do ano passado, foi afastado no âmbito de uma investigação em curso relacionada com a exploração mineira na região.
Motivos da Suspensão e Suspeitas
Segundo informações recolhidas junto de fontes próximas ao processo, o director agora suspenso é suspeito de ter ultrapassado as suas competências ao autorizar empresas mineiras a retomarem a extracção de ouro. As áreas visadas incluem a zona conhecida por “Seis Carros”, no distrito de Vanduzi, e outras localizadas no interior do distrito de Manica.
A gravidade da situação acentua-se pelo facto de estas autorizações violarem directamente o decreto do Conselho de Ministros que ditou a paralisação da actividade mineira na província.
A Posição do Estado
Zacarias Sitole, assessor jurídico dos Serviços Provinciais de Representação do Estado, esclareceu que este afastamento temporário constitui um “acto administrativo normal” que visa permitir ao Estado investigar e compreender os contornos reais do que se passa no sector mineiro local.
O assessor fez questão de frisar a natureza da medida: “Procedeu-se à sua suspensão preventiva, sublinhe-se, suspensão preventiva, de modo a que o Estado perceba o que está a acontecer no sector mineiro da província de Manica, nos últimos dias”.
Violação do Decreto Ambiental
Sitole destacou ainda o desrespeito pelas normas em vigor, referindo que se tem verificado a “recorrência da prática de actividades, algumas das quais interditas, nos termos do Decreto número 32/2025, de 30 de Setembro”. Este decreto foi estabelecido para suspender imediatamente a mineração na província, como resposta directa aos severos impactos ambientais e à elevada poluição dos rios causados por estas operações.
Garantindo que o objectivo da suspensão é apurar a verdade material dos factos, o assessor jurídico concluiu: “Não se pode esconder. Todos temos conhecimento do que está a acontecer na zona dos ‘Seis Carros’. Precisamos perceber o que efectivamente está a acontecer e como podemos contornar”.
Fonte Original: Texto adaptado da reportagem de Jorge Rungo.