O governo de Burkina Faso repudiou, na noite de domingo, um relatório divulgado em 2 de abril de 2026 pela organização não governamental Human Rights Watch (HRW), que tratava da situação dos direitos humanos no país. A informação foi confirmada pelo porta-voz do governo, Gilbert Ouédraogo, por meio de comunicado oficial.
O documento, que analisa o período de 2023 a 2025, foi classificado como “relatório falso” pelo governo. Segundo Ouédraogo, trata-se de “uma coleção de suposições e acusações graves e infundadas, hábito recorrente da Human Rights Watch”.
“O governo não se surpreende com as ações desta ONG, totalmente desconectada da realidade do país, sem escritório ou representação em Burkina Faso”, declarou. Ele acrescentou que a organização frequentemente se baseia em “alegações de indivíduos selecionados, que recebem subsídios em troca de fornecer material que alimenta relatos imaginários e fantasiosos”.
As autoridades destacaram “falhas metodológicas” no relatório, que, segundo elas, teriam como objetivo “demonizar os patriotas burquinenses e nossas valorosas forças combatentes, apresentando-os à comunidade internacional como violadores de direitos humanos para satisfazer interesses imperialistas contra o país”.
Ouédraogo enfatizou que os combatentes burquinenses sempre atuaram com profissionalismo, defendendo a vida, os direitos humanos e a proteção das populações vulneráveis. Ele reforçou que a luta contra o terrorismo é uma prioridade nacional, conduzida em estrita conformidade com as leis locais e os compromissos internacionais de Burkina Faso em direitos humanos.
O porta-voz afirmou ainda que o governo está “comprometido e determinado a combater a rede terrorista, seja qual for sua forma ou os meios utilizados, incluindo a violência armada ou crimes documentais como este falso relatório da Human Rights Watch”.
“De qualquer forma, o governo se reserva o direito de adotar medidas firmes contra qualquer organização imperialista disfarçada de ONG que tente minar a soberania de Burkina Faso”, concluiu Ouédraogo.
No relatório de 341 páginas, intitulado “Ninguém poderá escapar: Crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por todos os lados em Burkina Faso”, a Human Rights Watch afirmava que “o exército de Burkina Faso, suas milícias aliadas e um grupo armado ligado à Al-Qaeda teriam matado mais de 1.800 civis e deslocado à força dezenas de milhares de pessoas desde 2023”.