O jornalista Nádio Taimo publicou na sua página oficial do Facebook um texto de opinião intitulado “Da Intenção à Indignação: O Caso das Capulanas”, no qual faz uma reflexão sobre os recentes protestos registados em Anchilo, na província de Nampula, envolvendo a distribuição de capulanas prometidas a mulheres.
No seu texto, o jornalista afirma que há lições importantes que surgem das experiências do dia-a-dia, sobretudo quando determinados acontecimentos se repetem com frequência e acabam por gerar indignação. Segundo ele, a recente manifestação em Anchilo, onde mulheres bloquearam a estrada e vandalizaram a sede do partido FRELIMO, é um retrato de uma situação que poderia ter sido evitada com prudência e responsabilidade.
O jornalista observa que a sociedade, por vezes, tende a repetir os mesmos erros, insistindo em atitudes que ignoram as consequências de situações semelhantes já vividas. Na sua análise, promessas difíceis de cumprir, quando feitas sem o devido rigor, criam expectativas complicadas ou até impossíveis de satisfazer, tornando previsível a frustração colectiva.
Ele considera também que existe, em vários sectores, um sentimento de insatisfação em relação à governação e a processos associados, pelo que uma promessa grandiosa sem viabilidade pode facilmente transformar-se no factor que desperta um descontentamento que já existia de forma silenciosa entre os cidadãos.
No caso concreto, Nádio Taimo entende que Mãe Gueta aparentava agir com boas intenções, mas falhou na forma como tentou concretizá-las. Segundo o jornalista, não houve uma avaliação prévia dos riscos, especialmente quanto ao impacto de uma promessa feita publicamente. Ele recorda que, num discurso dirigido a todo o país, foi garantido que todas as mulheres receberiam capulanas, assegurando ainda que ninguém ficaria de fora e que o processo seria simultâneo, em nome da transparência e da integridade.
Contudo, a explicação posterior de que não existe uma “fábrica de capulanas” e de que as capulanas estavam disponíveis nas lojas, sugerindo que as próprias beneficiárias poderiam adquiri-las, foi considerada pelo jornalista como uma declaração desajustada e insensível, que acabou por comprometer a forma como a mensagem foi recebida pelo público.
O jornalista afirma que já era previsível que uma comunicação deste tipo gerasse insatisfação, o que acabou por se confirmar com bloqueios de estradas e actos de revolta, mesmo após o início do processo de distribuição das capulanas.
Segundo ele, o facto de a distribuição não abranger todas as mulheres criou a percepção de que apenas algumas seriam beneficiadas, alimentando sentimentos de favoritismo e exclusão, algo que pode fragilizar a coesão social.
Na parte final do texto, Nádio Taimo defende que deve haver uma reflexão séria por parte dos líderes, sublinhando que cada palavra e cada promessa devem ser cuidadosamente ponderadas. Para ele, promessas não são apenas declarações, mas compromissos que criam expectativas, e expectativas mal geridas podem gerar frustração e até conflitos que poderiam ser evitados.