NOVA IORQUE – Uma acusação formal da procuradoria norte-americana detalha um esquema de corrupção sistêmica liderado por Nicolás Maduro. Segundo o documento, o atual líder venezuelano teria comercializado passaportes diplomáticos para traficantes de drogas, garantindo-lhes imunidade para inundar os Estados Unidos com toneladas de cocaína.
Detalhes da Acusação
Os crimes teriam começado entre 2006 e 2008, período em que Maduro exercia o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros. A investigação aponta que ele facilitou o uso de voos privados com cobertura diplomática para movimentar lucros do narcotráfico do México para a Venezuela.
“Maduro e sua esposa declararam-se inocentes perante o Tribunal e voltarão a ser ouvidos a 17 de Março deste ano”, afirma o relatório judicial submetido em Nova Iorque.
O “Cartel dos Sóis” e Alianças Criminosas
A acusação sustenta que, desde 1999, a cúpula do governo venezuelano — incluindo Maduro e outros líderes — associou-se a organizações terroristas e cartéis de renome internacional para introduzir drogas em solo americano. Entre os grupos citados estão:
- FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)
- ELN (Exército de Libertação Nacional)
- Cartel de Sinaloa
- Os Zetas
- Tren de Aragua (TdA)
O documento descreve Maduro como o “arguido” no topo de um governo considerado ilegítimo, que utiliza o poder do Estado para proteger atividades ilícitas e enriquecer uma elite política e militar, incluindo nomes como Diosdado Cabello Rondon e Nestor Reverol Torres.
Envolvimento Familiar e Propinas
A investigação também atinge o círculo íntimo de Maduro. Sua esposa, Cília Adela Flores de Maduro, é acusada de mediar reuniões com grandes traficantes. Relatos indicam o pagamento de subornos na casa dos USD 100.000 mensais, além de uma taxa fixa por cada voo carregado de cocaína que recebia proteção segura das forças de segurança venezuelanas.
O filho de Maduro, Nicolás Ernesto Maduro Guerra (conhecido como “Nicolasito” ou “The Prince”), também é citado como beneficiário direto do ciclo de corrupção.
Geopolítica e o Petróleo Venezuelano
Em paralelo ao processo judicial, o cenário político se agrava. O ex-presidente norte-americano Donald Trump declarou recentemente que, após a eventual queda de Maduro e sua substituição por Delcy Rodríguez, os EUA pretendem garantir o controle sobre o petróleo venezuelano.
- Meta de importação: Até 50 milhões de barris de petróleo para os EUA.
- Valor de mercado: O crude está avaliado em aproximadamente USD 2,8 bilhões.
- Posição da China: Como maior importadora do petróleo venezuelano, a China já condenou os anúncios de Washington, exigindo que o acesso ao produto seja exclusivo ao governo de Caracas.
Analistas consultados pela BBC advertem, entretanto, que a recuperação da capacidade produtiva da Venezuela exigirá investimentos de dezenas de bilhões de dólares e poderá levar cerca de uma década para se concretizar plenamente.