Gémeas separadas ao nascer se reencontram aos 19 anos graças a vídeo no TikTok – Times de Todos

Duas jovens idênticas da Geórgia, separadas logo após o nascimento e entregues a famílias diferentes, reencontraram-se aos 19 anos graças a um vídeo no TikTok. O reencontro inesperado revelou um caso de adoção ilegal que remonta a 2002 e faz parte de um esquema muito mais amplo de tráfico de bebés no país, segundo informações divulgadas pela BBC.

A história ganhou novo rumo em novembro de 2021, quando uma amiga enviou a Ano Sartania um vídeo publicado no TikTok que mostrava uma jovem de cabelo azul a fazer um piercing na sobrancelha. A semelhança impressionou e levou Ano a procurar aquela desconhecida, que vivia a cerca de 200 milhas, em Tbilisi. Com a ajuda de colegas num grupo universitário de WhatsApp e posteriormente através do Facebook, as duas conseguiram estabelecer contacto.

A jovem do vídeo chamava-se Amy, também com 19 anos. O encontro presencial, na estação de metro de Rustaveli, acabou por confirmar aquilo que ambas já suspeitavam. Sartania afirmou à BBC que foi “como olhar para um espelho — o mesmo rosto e a mesma voz”. Mesmo sem gostar de contacto físico, disse ter abraçado a recém-descoberta irmã.

Curiosamente, Sartania já tinha visto Amy anos antes, quando esta participou no programa Georgia’s Got Talent. À época, vários conhecidos da família chegaram a perguntar à mãe de Sartania por que motivo a filha teria participado no programa com outro nome. A mãe, porém, desvalorizou as semelhanças, dizendo tratar-se apenas de uma “sósia”.

Após o reencontro, ambas iniciaram uma investigação própria. Descobriram que nasceram no mesmo hospital materno, em Kirtskhi, no oeste da Geórgia — uma unidade que já não existe — mas constavam nos registos com datas de nascimento diferentes, o que atrasou as suspeitas sobre uma possível ligação.

A pressão das duas jovens acabou por levar à revelação: ambas tinham sido adotadas de forma ilegal em 2002. As mães adotivas afirmaram que não podiam ter filhos e que pagaram quantias não divulgadas, acreditando que o processo era legítimo por ter ocorrido dentro de um hospital.

Com o avanço das investigações, as jovens localizaram a mãe biológica, Aza, que atualmente vive na Alemanha. Aza contou que entrou em coma após o parto e que, ao despertar, foi informada de que os bebés tinham morrido. Por isso, nunca as procurou.

A jornalista Tamuna Museridze, responsável pelo grupo no Facebook que ajudou a reunir a família, estima que entre as décadas de 1950 e 2005 mais de 100 mil bebés possam ter sido retirados ilegalmente das famílias na Geórgia. Segundo ela, tratava-se de um sistema organizado e disseminado.

Embora o reencontro tenha permitido esclarecer o passado, as jovens afirmam que ainda não mantêm uma relação próxima com a mãe biológica, mas continuam em contacto.

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