Um cidadão de 39 anos, identificado como José Bonifácio e residente em Calumbo, Luanda, afirma ter sido obrigado a vender a própria casa para conseguir liquidar uma dívida contraída para financiar o seu casamento, realizado no dia 3 de janeiro de 2025.
Segundo Bonifácio, na altura em que decidiu casar não dispunha de recursos financeiros suficientes para suportar todas as despesas relacionadas com a cerimónia. Diante da situação, recorreu a empréstimos junto de agiotas, que, de acordo com o seu relato, cobravam taxas de juros extremamente elevadas.
O objetivo era reunir o dinheiro necessário para concretizar o casamento. No entanto, cerca de oito meses depois, o valor da dívida teria aumentado significativamente devido aos juros, enquanto a pressão exercida pelos credores se tornou cada vez mais difícil de suportar.
“Hoje me arrependo muito de ter feito dívidas para casar. Não foi minha vontade. A minha noiva pressionou-me, ameaçando terminar a relação caso o casamento não fosse realizado no prazo que ela impôs”, relatou José Bonifácio.
Casa herdada dos pais foi vendida
O cidadão explicou que o único património de valor que possuía era uma casa herdada dos seus pais. Perante o agravamento da situação financeira e a pressão dos credores, decidiu vender o imóvel para conseguir pagar a dívida.
Bonifácio afirma que não encontrou outra alternativa para resolver o problema financeiro. A decisão, porém, significou não apenas a perda do património que havia recebido dos pais, mas também agravou o momento difícil que atravessa no próprio casamento.
Segundo o cidadão, a relação conjugal encontra-se atualmente em crise e a esposa já não demonstraria preocupação com a dívida que levou à venda da casa.
“Hoje ela nem se preocupa com a dívida. Prefere desconfiar de mim e criar discussões. Diz que estou diferente, que já não tenho o mesmo brilho”, contou.
Visivelmente abalado, Bonifácio lamentou ter perdido um património familiar para financiar um casamento que, segundo o seu próprio relato, encontra-se agora próximo da ruptura.
“É doloroso ver tudo o que perdi por causa de um casamento que já está em vias de ruptura”, desabafou.
O caso tornou-se um exemplo das consequências que podem surgir quando despesas matrimoniais são financiadas através de empréstimos com juros elevados, sobretudo quando o pagamento das dívidas acaba por comprometer o património familiar.
A história foi divulgada pelo Portal Só Ritmos, que acompanha e partilha casos de interesse público e social.