Rio de Janeiro — O que deveria ser o início de uma nova fase profissional transformou-se num drama internacional para a família do carioca Joan Vitor da Silva, de 27 anos. O jovem deixou o Rio de Janeiro no passado dia 8 de março rumo a Maputo, capital de Moçambique, atraído por uma oportunidade de trabalho na área da construção civil, mas encontra-se desaparecido desde então.
A viagem, que incluiu uma passagem por São Paulo antes da partida do Brasil, ocorreu numa fase delicada para a família. No final do ano passado, Joan havia sido demitido do seu trabalho como frentista num posto de gasolina na Zona Oeste do Rio. Pouco antes da dispensa, o jovem, a sua esposa Rafaela Pereira e os dois filhos do casal enfrentaram uma tragédia: um incêndio devastou a residência da família em Guaratiba, também na Zona Oeste, destruindo a maior parte dos móveis e pertences. Devido a este incidente, a família vivia temporariamente na casa de uma prima de Rafaela quando surgiu a vaga de emprego no exterior.
Extorsão e Pedido de Socorro em Vídeo
Após embarcar, Joan ficou cerca de 20 dias sem estabelecer qualquer contacto com a família. O silêncio foi quebrado de forma perturbadora a 27 de março, quando Jane Maria, mãe do jovem, recebeu uma chamada de um indivíduo que falava em inglês. Numa segunda ligação, a mesma pessoa informou que Joan estava preso, que iria responder por vários crimes e exigiu o pagamento de 10 mil dólares americanos (cerca de 50 mil reais), montante que seria alegadamente destinado a custear a alimentação do brasileiro.
O desespero da família agravou-se após uma videochamada posterior, onde puderam finalmente ver Joan. O jovem surgiu num ambiente que se assemelhava a uma cela, acompanhado por outros homens. As imagens mostravam também duas pessoas usando uniformes, semelhantes a oficiais de segurança, que se comunicavam em inglês com Joan. Durante a breve transmissão, o brasileiro conseguiu proferir apenas uma palavra aos familiares, em português: “Embaixada”. A ligação foi imediatamente encerrada pelos fardados e, desde esse momento, a família não obteve mais notícias.
Rafaela Pereira acredita que o marido caiu numa cilada criminosa. “Achamos que ele foi vítima de tráfico humano e extorsão. Prenderam o Joan e outras pessoas… Ainda nos queriam extorquir”, relatou a esposa.
Busca por Respostas e Queixas contra as Autoridades
Sem saber o paradeiro de Joan, a mãe e a esposa dirigiram-se à Delegacia de Bangu para registar a ocorrência. O processo foi posteriormente encaminhado para a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), unidade especializada da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que confirmou estar a realizar diligências para localizar o jovem.
Sob orientação de uma advogada, a família foi aconselhada a procurar o Consulado de Moçambique no Brasil. Contudo, o sentimento geral é de desamparo, com críticas contundentes à actuação do governo brasileiro.
”Não temos informações de quando ele vai voltar. O Itamaraty não nos dá suporte, nenhum consulado nos procura, estamos sem apoio algum, não sabemos o que se está a passar”, afirmou Rafaela. Jane Maria ecoa o desespero da nora, relatando a frustração após um contacto oficial: “Fiquei apenas 2 minutos e 40 segundos a conversar ao telefone com um funcionário da Embaixada do Brasil em Maputo. Já não estou a aguentar mais”.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) pronunciou-se através de uma nota oficial, assegurando que tem conhecimento da situação. A entidade afirmou que, por intermédio da Embaixada do Brasil em Maputo, está a prestar a devida assistência consular ao cidadão brasileiro. No entanto, o Ministério sublinhou que, por razões de privacidade, não partilha detalhes específicos sobre o apoio fornecido aos seus nacionais nestes casos.
(Com informações da CNN)